terça-feira, 21 de junho de 2016

LUTO NA VILA





LUTO NA VILA

Vi a praça perder sua alegria
Quando o grande Ramón ao céu partiu (1)
E Angeline Fernándes o seguiu (2)
Aos jardins da eterna moradia.

Evitando a fadiga Raúl viu (3)
Sua terra lembrar seu último dia
E Horácio ao partir também sorriu (4)
Pois deixaram um legado de poesia.

Eis que o astro maior, nosso Roberto (5)
Foi dizer "sem querer querendo" perto
Dos amigos distintos, tão iguais...

E Florinda na porta enxuga o rosto
E o café esfriando perde o gosto
Pois o “Mestre Linguiça” não vem mais! (6)


(1) Ramón Valdés, o Seu Madruga
(2) Angelines Fernández, a Dona Clotilde
(3) Raúl Padilla, o Jaiminho
(4) Horacio Gómez Bolaños, o Godínez
(5) Roberto Gomez Bolaños, o Chaves
(6) Rubén Aguirre, o Professor Girafales

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Mote "As mulheres que não tem coração Prestam grande serviço à poesia".

Não me venha pedir que eu fique quieto.
Cale a boca, se entupa e fique quieta
Que é difícil demais ver um poeta
Ser tratado igualmente um objeto.
O que sinto não há no alfabeto
Se eu fosse escrever quem ler morria
E você em mil anos não leria
Pois eu posso afirmar que em minha mão
"As mulheres que não tem coração
Prestam grande serviço à poesia".


Se eu perder os motivos de rimar Perco junto a emoção de ser poeta.

Quando os versos faltarem na memória
Vou tomar um bom gole de improviso
Entoar a cantiga de um sorriso
E criar de sonetos minha história
Se eu perder os meus versos perco a glória
Que a vida me deu e sigo a reta
Eu sem versos não sou mais um profeta
Que improvisa os galopes que sonhar
Se eu perder os motivos de rimar
Perco junto a emoção de ser poeta.


Mote "É que o mundo e o amor dá tantas voltas Que quem riu poderá chorar também"

Eu não sei se eu já disse alguma vez,
Mas lamento pensar que houve o fim.
Meu colchão Ortobom sem ela é ruim
Mas é muito pior ser só seu ex
O vazio sem ela que se fez
Não desejo jamais para outro alguém
E apesar de entender que sou refém
Aprendi controlar minhas revoltas
"É que o mundo e o amor dá tantas voltas
Que quem riu poderá chorar também"


Renato Santos
Mote Vinícius Gregório
Não critique pensando que ajuda
Se sua boca não tem sabor de mel
Quando a língua que fala é mais cruel
A palavra machuca e a gente muda.
Mas a fé vem de Deus e eu tenho fé
E quem julga pensando que já é
Guarde a língua e observe o seu falar
Para não lamentar erros falados
Quando Cristo pesar os seus pecados
Vai ter peso demais para pesar 


Renato Santos

Mote "Bem pior que dar chance a quem pediu É saber que já teve e jogou fora"

A quem dei outra chance e me iludiu
Desprezou o meu peito que era seu
Mas pior que cuspir onde comeu
É voltar a comer onde cuspiu
Eu falhei em te amar, você mentiu
Dispensou meu amor. Mandou-me embora
Quando eu tento ligar me ignora
Se esquecendo do peito onde dormiu
"Bem pior que dar chance a quem pediu
É saber que já teve e jogou fora"


Renato Santos
Mote Dayane Rocha

dia da saudade

Hoje é trinta do mês, fim de janeiro
Mas sem fim é a saudade que me toma
Vejo a hora o meu peito entrar em coma
Por lembrar de alguém o tempo inteiro
Vou vivendo sem rumo e paradeiro
Me perdendo nas curvas da poesia
Sem poder ter de volta a companhia
Que ao partir carregou minha liberdade
Como pode ter dia pra saudade
Quando eu sinto saudade todo dia?


Renato Santos

Eu tenho a poesia em minha vida

Vendo a lua eu senti estar sozinho
Nesse mundo distante de meu mundo
Que o amor mais sincero e mais profundo
Só achei numa flor cheia de espinho
Apesar de lhe dar o meu carinho
Sempre vi sua essência dividida
Pois o cheiro daquela margarida
Provocou minha infelicidade
Só não morro de amor ou de saudade
Porque tenho a poesia em minha vida


Renato Santos

Tem muita gente sorrindo Com o coração machucado

O carnaval já passou
Deixando muitos ranzinzas
E a quarta-feira de cinzas
À meia noite acabou.
O ano enfim começou
Pra quem é despreocupado
Mas tem muito homem calado
E muita mulher se iludindo
Tem muita gente sorrindo
Com o coração machucado


Renato Santos

SEXTILHA EM GALOPE

A lua de prata foi nossa aliança
E o céu foi o palco das nossas ternuras
As ruas de pedras foram passarelas
E algumas esquinas motel de loucuras
E as constelações foram testemunhas
Dos 'sins' meus e seus repletos de juras


Provei em seus lábios milhões de doçuras
Beijos coloridos de amor e carinhos
Carícias trocadas no meio da rua
Porém tão intensas qual fossem nos ninhos
Que só dois amantes verdadeiros loucos
Fariam pensando estarem sozinhos


Sem temer perigos igual passarinhos
Que vivem na mira do vil caçador
Entramos na mira do peito um do outro
Acertando em cheio as artérias do amor
E o sangue jorrando nos corpos suados
Foi devido aos lances de ardente calor


No fim seu perfume igual a uma flor
Ficou em meu corpo feito tatuagem
Abri minha mente senti teu aroma
Fechei os meus olhos e vi tua imagem
Depois me afoguei no teu corpo insano
Imenso oceano, perfeita paisagem.


E nesse delírio notei de passagem
Teu corpo sumindo em meus devaneios
Sem sentir teu cheiro, sem ver teu sorriso
Sem sentir o toque macio dos teus seios
Em um turbilhão de angústias e trevas
Acordei frustrado sentindo aperreios


Tentando dormir de todos os meios
Querendo te ver outra vez na vida
Eu fechei meus olhos, em vão, foi perdido.
Senti o desgosto tal como a ferida
Que antes de sarar magoa de novo
E a minha esperança mostrou-se perdida.


Renato Santos